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Dengue se alastra no Rio Grande do Norte

doutornet @ 16:59

Dengue só se alastra no RN

Em meio ao crescente número de casos de dengue, uma pergunta certamente não cala entre as vítimas da doença e, principalmente, em quem a qualquer momento pode ser o próximo alvo do mosquito Aedes aegypti: ‘‘Por que a dengue não pára?’’. Este é o tema da série de reportagens que o Diário de Natal inicia hoje, abrindo com uma abordagem sobre o trabalho dos agentes de endemias.

A quantidade de imóveis visitados pelos agentes de endemias em Natal é inferior ao preconizado pelo Ministério da Saúde (MS). A orientação do órgão é que cada agente visite entre 20 e 25 imóveis por dia, mas na capital a média é de 18 visitas por dia, segundo a Secretaria Municipal de Saúde (SMS). Além disso, cerca de 15% dos imóveis deixam de receber os agentes.

‘‘Nós damos todas as condições de trabalho, mas os agentes alegam que não conseguem fazer o que o ministério preconiza’’, justifica a coordenadora de Vigilância à Saúde da SMS, Cristiana Souto. Os agentes são responsáveis pelo trabalho de exterminar os focos do mosquito dentro de imóveis, com visitas diárias e orientando a população a identificar, eliminar e prevenir os criadouros.

A SMS conta atualmente com 352 desses profissionais em atividade de campo, mais 70 que serão contratados temporariamente. Segundo Cristiana Souto, o número está dentro do que o MS preconiza: um agente responsável por cerca de 800 a 1000 imóveis. ‘‘Na base que utilizamos para tratamento, que é de 293.000 imóveis, temos sim o quantitativo de agentes é suficiente’’, garante Souto.

A coordenadora reconhece também que uma média de 15% do total de imóveis de Natal (cerca de 45 mil) fica pendente ao final de cada ciclo. ‘‘Isso acontece por vários fatores, quer seja recusa de atendimento, ausência do proprietário no momento da inspeção ou imóveis que estão para ser vendido ou alugado’’, justifica, acrescentando que o trabalho atende a 100% dos bairros.

Na avaliação do infectologista Luiz Alberto Marinho, especialista na doença, essa pendência de imóveis não visitados ao final dos ciclos é justamente um dos fatores que contribui para o avanço da dengue. Para ele, o trabalho só é eficaz se for realizado em todos os imóveis da cidade. ‘‘Não pode ser por amostragem. A equipe tem que visitar todos os imóveis, sem exceção’’, afirma.

QUALIDADE
Marinho considera a visita dos agentes de endemias a medida mais importante no trabalho de curto e médio prazo de combate à doença. Embora reconheça que haja um número dentro do que preconiza o Ministério da Saúde, ele critica a qualidade do serviço. ‘‘Nunca tivemos prioridade no trabalho dos agentes. Nunca foi dada uma importância nem secundária para esse trabalho’’, afirma.

‘‘A equipe de agentes tem que ser bem treinada, educada e ser qualificada tecnicamente para identificar onde tem foco. Mas esse trabalho nunca recebeu das autoridades a prioridade que cabe de direito’’, acrescenta o infectologista, que identifica outro problema: ‘‘Alguns agentes são substituídos e não há novos treinamentos para os novos’’, revela.

FOCOS
Um dos parâmetros para identificar o resultado do trabalhos dos agentes é calcular a quantidade de focos do mosquito encontrados nos imóveis. Segundo Cristiana Souto, a identificação do quantitativo de focos é realizada no final de cada ciclo (cerca de 03 meses). No entanto, esse cálculo é realizado por amostragem, em cerca de 10% dos imóveis, segundo a própria coordneadora.

‘‘Esta seleção é de forma aleatória, dependendo do sistema de informação’’, revela a coordenadora, que aponta outro fator que prejudica a atividade: ‘‘Em período de chuvas eles não trabalham’’, alega. Embora reconheça que o trabalho dos agentes não tenha refletido em redução da doença, Cristiana Souto acredita que há qualidade no serviço. ‘‘Outro fatores favorecem o aumento dos casos como a falta de ação da população. Os moradores têm que contribuir’’.

Atendimento em Números

352
agentes de endemias estão em atividade em Natal (mais 70 serão contratados temporariamente)

18
média de visitas que cada agente faz por dia em Natal

de 20 a 25
quantidade de imóveis preconizado pelo Ministério da Saúde a serem visitados por dia por cada agente

40 mil
imóveis que ficam ser receber a visita dos agentes ao final de cada ciclo.

Fonte: DN

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